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Construção - Chico Buarque (1971)

Muita gente não gosta do Chico. Acha ele chato, enfadonho, triste, enfim...

Mas uma coisa que ninguém consegue discordar, gostando ou não do cara, é que ele é, sem dúvida, um dos artistas brasileiros mais importantes das décadas de 1960 e 1970.

E não é exagero, sequer estou seguindo a crítica-comum quando o assunto é Chico Buarque. Qualquer compositor (prá ficar no mesmo nível profissional do Chico) com o mínimo de sensatez concorda com o que eu disse.

Mas enfim, Construção.

O Chico ficou um tempo exilado na Itália, por causa da Ditadura, e quando voltou ao país lançou essa pérola. Tem quem entenda o álbum como uma grande crítica ao regime militar e as condições sociais da época, mas talvez só "Construção", "Cordão" e "Deus Lhe Pague" sejam as três músicas realmente críticas.

Além de "Samba de Orly", que fala diretamente sobre o exílio.

O próprio Chico nunca gostou de polemizar muito sobre suas composições, mesmo após o fim da Ditadura, mas é fato que suas músicas refletiam parte do que ele sentia, o que acontecia em sua volta, e podem sim ser consideradas como importantes registros da época.

Sem delongas, aproveitem um dos dez melhores álbuns brasileiros de todos os tempos! (opinião minha, ok? rs)


Força Bruta - Jorge Ben (1970)

Vamos combinar que um álbum que começa com "Oba Lá Vem Ela" merece todo o respeito possível.

O Força Bruta, do grande Jorge Ben (na década de 1970 ainda sem o Jor no fim do nome) é considerado por muitos críticos uma verdadeira pérola escondida na discografia do carioca porque, na época do lançamento, nem o público nem a crítica deram a devida atenção ao disco.

Tocou pouco, é verdade, mas com o tempo foi ganhando espaço entre os amantes da MPB.

Afinal, é neste disco que você vai encontrar "Domenica domingava num domingo linda toda de branco", "Charles Júnior", "Mulher Brasileira", "O Telefone Tocou Novamente" e "Carolina Carol Bela" (em uma parceria bem interessante com o Toquinho).

Para quem curte MPB e quer entender um pouco como nasceu e se desenvolveu essa interessante mistura unicamente brasileira chamada Samba-Rock (termo que o próprio Jorge Ben gosta de usar para definir sua música), a discografia de Ben Jor é um ponto de partida e este álbum, especificamente, é audição INDISPENSÁVEL na lista.

E, sinceramente... é um som bom demais!


Caetano e Chico - Juntos e ao Vivo (1972)

Caetano Veloso e Chico Buarque.

Juntos.

No meio da abjeta e assassina Ditadura Militar.

Com o AI-5 a pleno vapor, censurando, reprimindo, mandando prender, torturar e matar.

Precisa ficar explicando porque esse álbum é fundamental?

Sim, precisa: gravado em um show no Teatro Castro Alves, em Salvador, nos dias 10 e 11 de novembro de 1972, o álbum traz a junção de dois dos maiores compositores do Brasil, em um show que serviu também para afastar os boatos de que os dois teriam brigado, ainda no fim da década de 1960.

Caetano tinha recém voltado de Londres, onde ficou por um tempo exilado, e o show não fugiu dos olhos dos arapongas a mando do exército e da aeronáutica.

Um relatório, feito pelos responsáveis em espionar o evento, relata:

"A referida apresentação [tem] cenas que feriam a moral das famílias ali presentes, bem como atitudes do sr. Caetano Veloso, que, de certa forma, indispôs o público contra as autoridades presentes. Podemos observar quanto a Caetano Veloso: pintado de batom e com trejeitos homossexuais; [...] cabe-me salientar que Caetano, embora usando de uma afetação um tanto exagerada, muito mais apropriada para uma pessoa do sexo feminino, provocando até algumas vaias do auditório, tendo cantado músicas que, ao meu entender, nada apresentam de anormal." [fonte]

"Belo" exemplo de intolerância... :/

Em tempo: "Apesar de você", música de Chico Buarque que virou hino contra a Ditadura, não faz parte do repertório, mas há relatos de que um grupo de pessoas subiu no palco e cantou a música a plenos pulmões.