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As Quatro Estações - Legião Urbana (1989)

Divisor de águas para a maior banda de Rock do Brasil, talvez o ápice musical de toda uma geração.

Soou exagerado?

Que nada! Não dá para tratar As Quatro Estações de forma diminuta, a não ser que você não goste da Legião Urbana. Aí, pode caçar outros posts em nossa lista, pois você não vai entender este aqui.

O álbum é todo redondo, desde o início, com "Há Tempos", até seu fim, na melancólica "Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar".

Renato Russo, o cara que sabia "rimar romã com travesseiro", definitivamente não estava brincando quando compôs e gravou este disco.

Pois não é todo dia que você coloca, na mesma obra, músicas do calibre de "Meninos e Meninas", "1965 (Duas Tribos)", "Feedback Song For a Dying Friend", "Quando o Sol Bater Na Janela do Teu Quarto", "Maurício" e, é claro, uma das maiores músicas da História: "Pais e Filhos", que eternizou versos como

É preciso amar

as pessoas
como se não houvesse amanhã.


O disco tem algumas referências à Bíblia, Buda e Camões, sem soar prepotente ou exagerado.

Curiosamente, este disco foi um divisor de águas da Legião. Renato Russo queria algo menos pesado, queria fugir da rebeldia que marcou o início da carreira da banda. E o álbum foi gerado durante a saída do baixista Renato Rocha (pobre Negrete, últimas notícias davam conta de que ele tinha virado mendigo!), em um processo de rompimento que nunca ficou bem explicado.

Mas o fato é que este álbum marcou a grande mudança sonora da Legião, que passou a produzir músicas mais tranquilas, com melodias e arranjos mais elaborados.

E como sempre estava escrito nas capas dos discos da Legião: OUÇA NO VOLUME MÁXIMO!


Barão Vermelho - Barão Vermelho (1982)

A redundância no título do álbum sempre foi uma constante na música. Dizem, inclusive, que banda que se preze tem que ter pelo menos um álbum com o próprio nome.

O Barão Vermelho, fundado em 1981, lançou seu primeiro álbum no ano seguinte e, dizem alguns críticos, chutou bundas logo no início. O fato é que o Barão ajudou a construir parte relevante do BRock desde os primeiros acordes de "Posando de Star", faixa que abre o disco.

O que chama atenção na banda é que, independente das críticas, o Barão Vermelho nunca fugiu muito das suas origens, mesmo após a saída do Cazuza. E ouvir este primeiro álbum é fundamental para quem quer entender certos movimentos do rock brasileiro.

Pois a mesma banda que compôs "Billy Negão" e "Rock'n Geral", músicas animadas, boas para dançar e até mesmo com uma pitada de humor, também é capaz de criar "Down em mim" e "Todo amor que houver nessa vida", músicas mais introspectivas, com letras fortes e tristes, características que vão marcar principalmente a carreira do Cazuza.

Muitas das músicas que o Barão Vermelho toca até hoje em seus shows (quando eles se juntam, né?) estão neste álbum.

O Frejat, mesmo em sua carreira solo, também costuma trazer algumas destas canções para seus shows, de forma que, repito, este álbum é, assim como O Passo do Lui, do Paralamas, fundamental para se entender o Rock Brasileiro.

Aperta o play aí e divirta-se!


O Passo do Lui - Paralamas (1984)

Assim como em qualquer outro país, a música brasileira também é muito rica e dotada de marcos incontestáveis.

E O Passo do Lui, lançado pelos Paralamas do Sucesso em 1984, é um destes marcos. Das 10 músicas, apenas duas não tiveram destaque nas rádios, em uma época que, pelo menos no Brasil, o jabá não falava tão alto assim na hora de se tocar algo nas rádios e até mesmo na TV. Se não fosse realmente bom, ficava de fora.

Esse álbum catapultou o Paralamas para o patamar de principal banda do rock brasileiro na época. Herbert Vianna, vocalista e líder do grupo, já tinha o costume de ajudar outras bandas que ainda não tinham gravadora (caso, por exemplo, da Legião Urbana), levando fitas demo para o pessoal da gravadora ouvir, mas após o sucesso deste álbum os caras ganharam uma moral que pouquíssimos artistas tinham na época.

A apresentação dos caras no primeiro Rock in Rio, em 1985, e a repercussão entre fãs e a crítica após o mega festival atestaram a importância do Paralamas no cenário nacional.

O álbum é tão bom que todas as músicas em algum momento já foram regravadas por outros artistas, sem contar que pelo menos METADE das músicas do disco é presença constante nos shows do Paralamas até hoje!

E olha que estamos falando de uma banda que conta com um dos maiores compositores do país! Você gostando ou não das músicas do Herbert Vianna, o fato é esse (vários outros artistas brasileiros atestam isso), e ele manteve uma bela média de boas composições até sofrer aquele seríssimo acidente em 2001.

Vou deixar um destaque aqui prá "Fui Eu", que já recebeu tantas versões da banda que eu nem lembrava mais como era a música original...